Muitas pessoas buscam a terapia esperando encontrar um refúgio de validação contínua. Embora o acolhimento seja o solo fértil estabelecendo uma audiência não punitiva ele, por si só, não garante a mudança. Se o processo terapêutico não convida o indivíduo a encarar suas próprias tensões e as “sombras” de seu repertório, dificilmente haverá mudança estrutural.
No Behaviorismo Radical, entendemos que o comportamento é mantido por consequências. Muitas vezes, o que chamamos de “conforto” é, na verdade, um esquema de esquiva emocional. Se a terapia se torna apenas um espaço de manutenção desse conforto, ela deixa de ser um agente de transformação para se tornar um reforço para a estagnação.
O Acolhimento como Solo, o Confronto como Ferramenta
O papel do analista do comportamento não é o de um juiz, mas também não é o de um espectador passivo. O acolhimento serve para que o paciente se sinta seguro o suficiente para que seus comportamentos mais difíceis apareçam na sessão (a chamada “fala funcional”). No entanto, o crescimento real só acontece quando essas funções são questionadas.
O “confronto ético” aqui não é um ataque pessoal, mas sim o apontamento das inconsistências entre o que o paciente deseja e o que ele efetivamente faz. É o momento em que o terapeuta ajuda o indivíduo a observar as variáveis que mantêm seu sofrimento.
Por que o desconforto é necessário?
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Quebra de Padrões de Esquiva: Para que novas respostas sejam aprendidas, é preciso entrar em contato com os estímulos que geram ansiedade ou dor. Evitar o desconforto na sessão é ensinar o paciente a continuar evitando-o lá fora.
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Diferenciação entre Desabafo e Análise: O desabafo traz um alívio imediato (reforço negativo), mas a análise gera revolução comportamental a longo prazo.
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Desenvolvimento de Repertório: O amadurecimento e a melhora na qualidade de vida vêm da capacidade de agir de forma assertiva mesmo sob condições adversas.
O Compromisso com a Evolução
Uma terapia que não gera inquietação dificilmente gera movimento. O objetivo final é o crescimento: a construção de um repertório mais flexível, onde o indivíduo deixa de ser controlado por medos antigos e passa a ser o agente de novas contingências.
Acolher é fundamental para iniciar o processo, mas é o enfrentamento das contingências difíceis que permite ao ser humano evoluir.




